Cantão em duas estações: como a cheia e a seca transformam a paisagem e as experiências turísticas

O Parque Estadual do Cantão, situado no coração do Vale do Araguaia, é um dos destinos mais fascinantes do Brasil para quem busca ecoturismo e experiências autênticas em meio à natureza.

Localizado na transição entre o Cerrado e a Amazônia, o Cantão é um verdadeiro mosaico de vida, onde rios, lagos, praias fluviais e florestas alagadas se alternam ao sabor das estações do ano. Essa região, que abrange municípios como Caseara, Pium e Araguacema, é marcada por duas estações bem definidas: a cheia, de novembro a abril, e a seca, de maio a outubro. Cada uma delas imprime uma identidade única à paisagem e às atividades turísticas, tornando o Cantão um destino que se reinventa a cada semestre.

Durante a estação de cheia, as águas dos rios Araguaia, Coco e Javaés transbordam, inundando florestas e conectando mais de 800 lagos e lagoas. O cenário se transforma em um vasto labirinto aquático, onde a navegação se faz entre as copas das árvores e a vida selvagem floresce em abundância. Já na estação seca, as águas recuam e revelam extensas praias de areia branca, bancos de areia e trilhas antes submersas, convidando para banhos de rio, caminhadas e contemplação da natureza. Essa alternância não só molda a paisagem, mas também define o ritmo das experiências turísticas, oferecendo oportunidades distintas para quem deseja explorar o Cantão em diferentes épocas do ano.

Estação de cheia: florestas alagadas e passeios de barco Sobre as Copas das Árvores

Entre novembro e abril, o Cantão vive sua estação de cheia. As chuvas intensas elevam o nível dos rios, inundando áreas de floresta e criando um ambiente único, conhecido como igapó. Nessa época, a melhor forma de explorar a região é a bordo de barcos ou canoas, deslizando silenciosamente entre troncos submersos e galhos que emergem das águas.

A navegação sobre a copa das árvores é uma experiência singular, que permite observar de perto a adaptação da fauna e da flora ao ciclo das águas. Ariranhas, botos-do-Araguaia, jacarés, tartarugas e uma infinidade de aves aproveitam a fartura de peixes e a proteção dos ambientes alagados para se alimentar e reproduzir. O birdwatching (observação de aves) atinge seu auge, com quase 500 espécies registradas na região, incluindo garças, ciganas, tucanos e aves migratórias.

Além da observação da vida selvagem, os passeios de barco proporcionam uma imersão sensorial na floresta alagada. O silêncio das águas, interrompido apenas pelo canto dos pássaros e pelo som dos remos, cria uma atmosfera de contemplação e respeito à natureza. Guias locais, experientes e conhecedores dos segredos do Cantão, conduzem os visitantes por canais e lagos, compartilhando histórias, lendas e curiosidades sobre a região.

Estação Seca: praias fluviais, banhos de rio e trilhas na mata

Com a chegada de maio, as chuvas cessam e as águas começam a baixar. Entre maio e outubro, o Cantão revela seu outro rosto: o das praias fluviais e dos bancos de areia que se estendem ao longo dos rios Araguaia e Coco. É a temporada das praias, quando milhares de turistas são atraídos para banhos de rio, esportes náuticos e momentos de lazer à beira da água.

As praias do Cantão, como a Praia do Coco em Caseara e a Praia da Gaivota em Araguacema, tornam-se verdadeiros balneários naturais, com infraestrutura de quiosques, barracas e áreas para camping. O clima seco e ensolarado favorece atividades como caminhadas, trilhas ecológicas, pesca esportiva, canoagem e piqueniques em família. As trilhas, antes alagadas, ficam acessíveis e permitem explorar a diversidade de ecossistemas, desde matas de galeria até campos de cerrado.

A estação seca também é ideal para a observação de animais que se concentram nas margens dos rios e lagos em busca de alimento e água. Jacarés, capivaras, veados, ariranhas e, com sorte, até onças-pintadas podem ser avistados durante safáris fotográficos ou passeios guiados. O pôr do sol nas praias do Araguaia é um espetáculo à parte, com cores que se refletem nas águas calmas e convidam à contemplação.

O ciclo das águas e a vida no Cantão: adaptação e riqueza biológica

A alternância entre cheia e seca não é apenas um fenômeno climático, mas o motor que impulsiona a vida no Cantão. Esse ciclo regula a reprodução dos peixes, a migração das aves, o comportamento dos mamíferos e até mesmo as atividades humanas, como a pesca e o turismo. Durante a cheia, os peixes se dispersam pelos lagos e igapós, garantindo alimento para predadores como ariranhas e botos. Na seca, eles se concentram em poças e canais, facilitando a captura por pescadores e animais.

A flora também responde ao ciclo das águas, com espécies adaptadas tanto à inundação quanto à estiagem. Árvores de raízes aéreas, palmeiras, buritizais e plantas aquáticas compõem um cenário de grande beleza e complexidade ecológica. Essa riqueza biológica faz do Cantão um dos principais berçários de vida do Brasil, abrigando espécies ameaçadas de extinção e servindo como corredor ecológico entre o Cerrado, a Amazônia e o Pantanal.

Experiências imperdíveis em cada estação

Para quem deseja vivenciar o melhor do Cantão, a dica é escolher a estação de acordo com o tipo de experiência desejada:

  • Na cheia (novembro a abril): aposte em passeios de barco pela floresta alagada, observação de aves e mamíferos aquáticos, safáris fotográficos e visitas a comunidades ribeirinhas. Aproveite para conhecer projetos de conservação, como o monitoramento das ariranhas e dos botos-do-Araguaia.
  • Na seca (maio a outubro): desfrute das praias fluviais, banhos de rio, trilhas ecológicas, pesca esportiva, esportes náuticos e festas regionais.

Independentemente da época, o Cantão oferece uma imersão profunda na natureza, com opções de hospedagem acolhedora, gastronomia regional e atividades para toda a família. O segredo é planejar a viagem com antecedência, respeitar as orientações dos guias e adotar práticas de turismo sustentável, contribuindo para a preservação desse patrimônio natural.

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